Como Jesus Voltará? A Natureza da Segunda Vinda de Cristo
1. Introdução
A Segunda Vinda de Jesus Cristo é o evento culminante da escatologia bíblica. Embora cristãos debatam o momento de eventos relacionados (como o Arrebatamento e o Milênio), a Escritura é explícita e unânime quanto a como Jesus voltará.
Este artigo foca exclusivamente na maneira e natureza da Segunda Vinda de Cristo — como será o Seu retorno, como será experimentado e como a Bíblia descreve essa manifestação decisiva do Filho do Homem em glória.
Compreender a natureza do retorno de Cristo protege os crentes de falsos clamores, esclarece a esperança cristã e fornece uma base bíblica sólida para o estudo da profecia.
2. Um Retorno Literal, Corporal e do Mesmo Jesus
2.1 O Mesmo Jesus que Ascendeu
O Novo Testamento insiste que o Jesus que voltará é a mesma pessoa que viveu, morreu, ressuscitou e ascendeu. Após a ascensão, dois anjos disseram aos discípulos:
“Esse Jesus, que dentre vós foi elevado ao céu, virá do modo como o vistes subir.”
— Atos 1.11
Pontos-chave desse texto sobre a natureza do Seu retorno:
- “Esse Jesus” – o mesmo Cristo histórico e ressuscitado
- “Virá” – um evento futuro, garantido
- “Do modo como o vistes subir” – o modo de Sua partida define o modo de Seu retorno
Jesus ascendeu em um corpo humano real e ressuscitado a partir do Monte das Oliveiras (Atos 1.12), e Ele voltará nesse mesmo corpo glorificado ao mesmo local (Zacarias 14.4).
2.2 Físico e Tangível
A Segunda Vinda não é uma mera “experiência espiritual” ou um evento apenas simbólico. Ela é literal e física. O mesmo corpo que foi crucificado e ressuscitou é o corpo no qual Ele Se manifestará novamente.
Os relatos da ressurreição enfatizam:
- Fisicalidade: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai...” (Lucas 24.39).
- Continuidade: Ele trazia as marcas da crucificação (João 20.27).
- Existência material: Ele comeu na presença dos discípulos (Lucas 24.42–43).
Porque Ele ascendeu corporalmente, Ele deve retornar corporalmente. Sua Segunda Vinda é, portanto:
- Literal – não alegórica
- Corporal – em uma verdadeira natureza humana glorificada
- Pessoal – não delegada, mas Ele mesmo volta (cf. Apocalipse 22.20).
3. Uma Manifestação Visível, Pública e Universal
3.1 “Todo Olho O Verá”
A Escritura enfatiza repetidamente a visibilidade e o caráter público da Segunda Vinda de Cristo. Ela não será oculta, localizada ou secreta.
“Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele.”
— Apocalipse 1.7
Observamos aqui:
- “Todo olho o verá” – visibilidade universal
- “Até quantos o traspassaram” – até Seus inimigos testemunharão o Seu retorno
- “Todas as tribos da terra se lamentarão” – resposta e reconhecimento globais
De modo semelhante, o próprio Jesus disse:
“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.”
— Mateus 24.30
A Segunda Vinda é, portanto:
- Pública, não privada – o mundo inteiro O verá
- Objetiva, não meramente interior – não apenas “Cristo no coração”, mas Cristo nos céus
- Inevitavelmente manifesta – todas as nações serão confrontadas com Sua aparição
3.2 A Linguagem de Aparição e Revelação

Vários termos gregos-chave enfatizam o desvelar visível de Cristo em Seu retorno:
| Termo | Sentido | Relevância para a Natureza do Retorno |
|---|---|---|
| apokalypsis | Desvelar, revelação | Cristo é revelado do céu (2 Tessalonicenses 1.7). |
| epiphaneia | Aparição, manifestação brilhante | “A manifestação da glória” (Tito 2.13). |
| parousia | Vinda, chegada, presença | Vista pelo mundo (Mateus 24.27, 37). |
| phaneroō | Tornar visível, manifestar | “Quando Cristo... for manifestado” (Colossenses 3.4). |
| horaō | Ver com os olhos | Relaciona-se com o fato de Ele ser visto em Sua vinda. |
Esses termos, usados no Novo Testamento, descrevem consistentemente um desvelar visível, aberto e radiante de Cristo — não uma vinda oculta ou puramente espiritual.
4. Gloriosa, Majestosa e Sobrenatural em Poder
4.1 Vindo com Poder e Grande Glória
A Segunda Vinda será marcada por glória avassaladora e majestade divina. Jesus a descreveu em Seu sermão profético no Monte das Oliveiras:
“...verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.”
— Mateus 24.30
Alguns aspectos se destacam:
- Nuvens do céu – símbolo bíblico da presença e glória divinas (cf. Êxodo 40.34–35; Daniel 7.13).
- Poder – Sua vinda é acompanhada de autoridade e força irresistíveis.
- Grande glória – o esplendor desvelado de Sua realeza divina e messiânica.
Paulo ecoa essa verdade ao dizer:
“...quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo.”
— 2 Tessalonicenses 1.7–8
Assim, a natureza da Sua vinda é:
- Sobrenatural – acompanhada por exércitos celestiais e hostes angelicais
- Radiante – Sua glória é manifesta e inconfundível
- Real – Ele vem como o declarado “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Apocalipse 19.16).
4.2 Abalo Cósmico e Sinais nos Céus
A Segunda Vinda é precedida e acompanhada por fenômenos cósmicos que anunciam Sua chegada:
“Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados.”
— Mateus 24.29
Esses sinais indicam:
- Ruptura da ordem natural – o cosmo criado responde ao retorno do Criador.
- Transição de eras – da “presente era má” para o reinado visível de Cristo.
- Medo e assombro intensificados entre as nações – “os homens desmaiarão de terror” (Lucas 21.26).
O retorno de Cristo não é um ajuste silencioso na história; é uma intervenção cataclísmica que altera o universo.
5. Súbita, Cumulativa e Irresistível
5.1 Como o Relâmpago e como um Ladrão
Jesus comparou Sua vinda a um relâmpago no céu:
“Porque, assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra até ao Ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem.”
— Mateus 24.27
Essa imagem comunica:
- Subitaneidade – surge sem um desenrolar gradual
- Visibilidade – pode ser visto a grandes distâncias
- Irresistibilidade – é imparável e avassaladora
Em outros textos, o Novo Testamento compara Sua vinda a um ladrão de noite (por exemplo, Apocalipse 3.3; 1 Tessalonicenses 5.2), enfatizando:
- Inesperado para os despreparados
- Impossibilidade de resistir ou evitar
- Urgência de vigilância e prontidão
5.2 Um Único Retorno Público e Cumulativo
Do ponto de vista de Sua manifestação em glória ao mundo, a Segunda Vinda é apresentada como um evento único e culminante:
- As nações se reúnem em oposição (Apocalipse 19.19).
- O céu se abre e Cristo aparece montado em um cavalo branco (Apocalipse 19.11).
- Seus inimigos são julgados e derrotados pela palavra da Sua boca (2 Tessalonicenses 2.8; Apocalipse 19.15, 21).
Sua vinda é, portanto:
- Decisiva – põe fim à atual ordem de rebelião.
- Judicial – Ele vem como guerreiro-juiz e também como Rei.
- Irreversível – inaugura o reinado visível de Cristo sobre a terra.
Embora a teologia pré-milenista distinga o Arrebatamento (Cristo vindo para a Sua igreja) da Revelação (Cristo vindo com Seus santos), esta última é consistentemente retratada como uma intervenção súbita, global e aberta ao final da Tribulação.
6. Real, Triunfante e Acompanhada por Exércitos Celestiais
6.1 O Guerreiro-Rei em um Cavalo Branco
O retrato mais detalhado da natureza da Segunda Vinda de Cristo aparece em Apocalipse 19.11–16:
“Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro, e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus. Da sua boca sai uma espada afiada, para ferir com ela as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro... No manto e na sua coxa tem escrito o nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores.”
Essa passagem apresenta Seu retorno como:
- Real – Ele monta um cavalo branco, símbolo de vitória e procissão real.
- Judicial – Ele “julga e peleja com justiça”, em perfeita retidão.
- Penetrante – Seus “olhos como chama de fogo” veem e expõem tudo.
- Soberano – “Muitos diademas” indicam realeza suprema e inigualável.
- Centrado na Palavra – Sua “espada afiada” é Sua palavra autoritativa e poderosa.
6.2 Com Anjos e Santos Redimidos

Cristo não retorna sozinho. Ele é acompanhado por exércitos celestiais:
“E seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, vestidos de linho finíssimo, branco e puro.”
— Apocalipse 19.14
Outros textos confirmam esse padrão:
- “O Senhor Jesus... virá do céu com os anjos do seu poder” (2 Tessalonicenses 1.7).
- “Então virá o Senhor, meu Deus, e todos os santos com ele” (Zacarias 14.5).
- “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele em glória” (Colossenses 3.4).
Essas passagens destacam:
- O caráter comunitário de Sua manifestação — anjos e santos glorificados participam de Seu triunfo.
- A vindicação do Seu povo — aqueles que sofreram e esperaram agora compartilham de Sua glória revelada.
- A corte real que circunda o Rei ao tomar Seu trono e executar juízo.
Sua Segunda Vinda é, assim, não apenas a revelação de Sua glória pessoal, mas também da comunidade glorificada que Lhe pertence.
7. Significado Teológico da Maneira de Seu Retorno
O modo como Cristo volta não é um detalhe secundário; é teologicamente carregado de significado. A natureza visível, corporal e gloriosa de Sua Segunda Vinda sublinha diversas verdades centrais:
- Continuidade da Encarnação – O Filho eterno permanece para sempre verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus; Seu retorno corporal confirma a permanência de Sua identidade encarnada.
- Vindicação pública de Cristo – Aquele que foi rejeitado, zombado e crucificado volta abertamente como Juiz e Rei diante do mesmo mundo que O desprezou.
- Vindicação pública dos crentes – Aqueles que confiaram em um Cristo invisível O verão e serão vistos com Ele em glória.
- Exposição final da incredulidade – Como “todo olho o verá”, a incredulidade não poderá mais se esconder atrás de ignorância ou invisibilidade.
- Fim da ordem presente – O caráter dramático e cósmico de Sua vinda marca o encerramento desta era e o início do reinado aberto de Cristo.
A natureza do retorno de Cristo está, portanto, no centro da esperança cristã, da vigilância ética e da ortodoxia doutrinária. Negar seu caráter visível, corporal e glorioso é minar tanto a ressurreição quanto o testemunho profético das Escrituras.
8. Conclusão
De acordo com a Bíblia, Jesus voltará pessoalmente, fisicamente, visivelmente, subitamente, gloriosamente e triunfantemente. A Segunda Vinda é a aparição literal, pública e majestosa do Filho do Homem ressuscitado, em poder e grande glória, acompanhado por anjos e santos, precedido e cercado por sinais cósmicos, e culminando em juízo e na instauração de Seu reinado visível.
Isto não é uma ideia mística nem um mero símbolo de renovação espiritual. É um evento concreto, futuro e histórico em que o mesmo Jesus que ascendeu descerá novamente, e todo olho O verá.
A tarefa da igreja não é especular além do que a Escritura revela, mas crer no que Deus revelou sobre como Cristo voltará, rejeitar alegações de vindas ocultas ou meramente espirituais, e “esperar dos céus o seu Filho” com fé, santidade e esperança (1 Tessalonicenses 1.10).
FAQ
P: A Segunda Vinda de Jesus será visível para todos ou somente para os crentes?
A Segunda Vinda será visível universalmente. Apocalipse 1.7 afirma que “todo olho o verá”, inclusive aqueles que se opuseram a Ele. Jesus ensinou que “todos os povos da terra... verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mateus 24.30).
P: A Segunda Vinda de Cristo será física ou apenas uma experiência espiritual em nossos corações?
A Bíblia apresenta o retorno de Cristo como físico e corporal. O mesmo Jesus que ressuscitou em um corpo tangível e foi elevado do Monte das Oliveiras voltará “do modo como o vistes subir” (Atos 1.11). Sua vinda não é apenas renovação espiritual, mas uma descida real do Filho de Deus encarnado.
P: Como a imagem bíblica das “nuvens” será cumprida quando Jesus voltar?
Na Escritura, as nuvens frequentemente significam a glória visível e a presença de Deus. Jesus foi elevado em uma nuvem na Sua ascensão e voltará “com as nuvens” (Apocalipse 1.7; Mateus 24.30). Isso aponta para uma manifestação gloriosa e majestosa de Sua presença, não para fenômenos meteorológicos comuns.
P: Como Jesus retornará — de forma súbita ou gradual?
Sua Segunda Vinda será súbita e culminante. Jesus comparou Sua vinda ao relâmpago que sai do oriente e se mostra até ao ocidente (Mateus 24.27), e a Escritura a descreve como a chegada de um ladrão de noite para os despreparados (Apocalipse 3.3; 1 Tessalonicenses 5.2). Não se desenrolará lentamente ao longo dos séculos, mas ocorrerá em um momento definido na história.
P: Qual é a diferença entre o Arrebatamento e a Segunda Vinda em termos de como Cristo aparece?
Em uma perspectiva pré-milenista, o Arrebatamento é a vinda de Cristo nos ares para a Sua igreja (primariamente experimentada pelos crentes), enquanto a Segunda Vinda (a Revelação) é Seu retorno público e visível à terra com Seus santos, visto por todo o mundo e acompanhado de juízo e da inauguração de Seu reinado terreno.
Perguntas Frequentes
A Segunda Vinda de Jesus será visível para todos ou somente para os crentes?
A Segunda Vinda de Cristo será física ou apenas uma experiência espiritual em nossos corações?
Como a imagem bíblica das “nuvens” será cumprida quando Jesus voltar?
Como Jesus retornará — de forma súbita ou gradual?
Qual é a diferença entre o Arrebatamento e a Segunda Vinda em termos de como Cristo aparece?
L. A. C.
Teólogo especializado em escatologia, comprometido em ajudar os crentes a compreender a Palavra profética de Deus.
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