A lacuna entre a 69ª e a 70ª semana: por que a era da Igreja interrompe a profecia de Daniel

Escatologia14 min de leitura

1. Introdução: O Relógio Profético de Daniel e a Lacuna do Mistério

A profecia das setenta semanas em Daniel 9.24–27 é muitas vezes chamada de “a espinha dorsal da profecia bíblica”. Ela fornece um cronograma preciso do programa de Deus para Israel e Jerusalém, desde o período persa até a futura Tribulação e a volta de Cristo.

No entanto, o próprio texto mostra que o relógio profético não corre de forma contínua. Há uma lacuna deliberada entre a 69ª e a 70ª semana — uma pausa no cronograma profético de Israel durante a qual Deus está realizando algo novo e distinto: a era da igreja.

Este artigo explica por que há essa lacuna, o que a Escritura diz a respeito, e o que acontece nesse intervalo entre a 69ª e a 70ª semana da profecia de Daniel.


2. A Profecia das Setenta Semanas: Estrutura para Israel, não para a Igreja

Daniel 9.24 começa definindo o escopo das setenta semanas:

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e a tua santa cidade…”
Daniel 9.24

Dois pontos são fundamentais para entender a lacuna:

  1. A profecia é explicitamente para Israel e Jerusalém.

    • “Teu povo” = o povo de Daniel = Israel étnico.
    • “Tua santa cidade” = Jerusalém.
    • Nada no texto sugere que “teu povo” tenha se tornado a igreja, nem que “tua santa cidade” seja um símbolo do céu ou da igreja universal.
  2. As unidades de tempo são “setes” de anos, não de dias.

    • O termo significa literalmente “setenta setes”. No contexto, refere‑se a setes de anos, resultando em 70 × 7 = 490 anos.
    • Daniel acabara de ler a profecia de Jeremias sobre 70 anos de cativeiro (Dn 9.1–2; Jr 25.11–12; 29.10), portanto já estava pensando em anos.
    • O calendário de Israel reconhecia “setes” de anos nos ciclos sabáticos (Lv 25.1–9).

Assim, Daniel 9.24–27 traça 490 anos proféticos nos quais Deus cumprirá seis grandes propósitos para Israel, culminando em sua restauração espiritual e no estabelecimento do reino do Messias.


3. As Primeiras 69 Semanas: Do Decreto até a Apresentação do Messias

3.1 Ponto de Partida: O Decreto para Reconstruir Jerusalém

Daniel 9.25 indica o ponto de partida:

“Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém…”
Daniel 9.25

Entre os decretos persas registrados na Escritura, apenas o decreto de Artaxerxes em 444/445 a.C. (Ne 2.1–8) autoriza explicitamente a reconstrução da cidade e de seus muros, não apenas do templo. Isso se ajusta exatamente à formulação de Daniel.

3.2 As 69 Semanas (7 + 62): 483 Anos até o Messias, o Príncipe

Daniel prossegue:

“…até que o Ungido, o Príncipe, venha, haverá sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão…”
Daniel 9.25

  • A profecia divide as primeiras 69 semanas em 7 semanas (49 anos) mais 62 semanas (434 anos), totalizando 483 anos.
  • Usando um ano profético de 360 dias, 483 anos = 173.880 dias.
  • A partir do decreto (444/445 a.C.), esse período se estende até a apresentação pública de Messias, o Príncipe — cumprida na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (geralmente datada em 30 d.C. ou 33 d.C.).

Nesse momento, Jesus Se apresenta abertamente como Rei de Israel (Lc 19.28–44), exatamente no encerramento da 69ª semana.

3.3 Depois da 69ª Semana: O Messias é Tirado e Jerusalém é Destruída

Daniel 9.26 é crucial para enxergar a lacuna:

Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário…”
Daniel 9.26

Observe com atenção:

  • Esses eventos ocorrem “depois” das 69 semanas, não durante a 70ª semana e não exatamente no limite da 69ª.
  • Duas ocorrências históricas principais são previstas:
    1. O Messias é “morto” (cortado) — a crucificação de Cristo.
    2. “A cidade e o santuário” são destruídos — a destruição de Jerusalém e do templo pelos romanos em 70 d.C.

Ambos os eventos aconteceram décadas antes de qualquer futura Tribulação de sete anos e décadas depois do término da 69ª semana. Isso já implica um intervalo de tempo entre a 69ª e a 70ª semana.


4. Evidências de uma Lacuna entre a 69ª e a 70ª Semana

Linha do tempo em infográfico das setenta semanas de Daniel com a lacuna da era da igreja entre a 69ª e a 70ª semana.
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Linha do tempo em infográfico das setenta semanas de Daniel com a lacuna da era da igreja entre a 69ª e a 70ª semana.
Uma linha do tempo horizontal em infográfico mostrando as 70 semanas de Daniel, destacando as primeiras 69 semanas, a lacuna da era da igreja com a crucificação do Messias e a destruição de 70 d.C., e a 70ª semana ainda futura.

A ideia de uma “lacuna” não é um acréscimo artificial; ela emerge do próprio texto e de outras passagens posteriores da Escritura.

4.1 A Palavra “Depois” em Daniel 9.26

Daniel coloca explicitamente a morte do Messias e a destruição de Jerusalém “depois das sessenta e duas semanas” (isto é, depois do total das 69 semanas).

  • O Messias é morto não na 70ª semana, mas depois da 69ª.
  • A cidade e o santuário são destruídos não dentro da 70ª semana, mas também depois da 69ª, historicamente por volta de 70 d.C.

Se a 70ª semana seguisse imediatamente sem interrupção, a destruição de Jerusalém teria ocorrido alguns poucos anos após a crucificação. Em vez disso, ela aconteceu quase 40 anos depois. Apenas uma lacuna de tempo entre a 69ª e a 70ª semana explica adequadamente esse intervalo histórico.

4.2 A 70ª Semana Ainda é Futura no Novo Testamento

Daniel 9.27 descreve a 70ª semana:

“Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador…”
Daniel 9.27

Observações principais:

  • O “ele” do versículo 27 retoma “o povo de um príncipe que há de vir” do versículo 26 — um governante futuro procedente do mesmo povo que destruiu o templo, isto é, um líder mundial de origem romano‑imperial, não Cristo.
  • Esse governante firma uma aliança de sete anos com “muitos” em Israel, rompe essa aliança na metade e comete a abominação desoladora no templo.

Jesus, porém, fala dessa abominação como algo ainda futuro em Seu sermão profético no Monte das Oliveiras:

“Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo…”
Mateus 24.15

Escrevendo décadas após a crucificação e pouco antes de 70 d.C., Jesus ainda trata a abominação de Daniel (Dn 9.27; 11.31; 12.11) como por vir e a associa à grande tribulação (Mt 24.21, 29–31).

Mais tarde, Paulo também fala de um homem da iniquidade que se assentará em um templo futuro, proclamando‑se Deus (2Ts 2.3–4), ecoando Daniel 9.27 e 11.36–37.

O livro de Apocalipse, escrito por volta de 95 d.C., descreve um período de 42 meses (três anos e meio) de intensa perseguição (Ap 11.2–3; 12.6; 13.5), equivalente à “metade da semana” de Daniel. João claramente trata isso como ainda futuro.

Se a 70ª semana de Daniel já tivesse ocorrido em sequência imediata após a 69ª no primeiro século, essas passagens do Novo Testamento não apresentariam seus eventos centrais como futuros.

4.3 Lacunas Proféticas são Comuns na Escritura

O conceito de uma lacuna profética entre eventos intimamente ligados não é incomum.

  • Zacarias 9.9–10 passa da entrada humilde do Messias montado em um jumento (cumprida na primeira vinda) para o Seu reinado universal de paz (cumprido na Segunda Vinda), com toda a era da igreja entre dois versículos.
  • Isaías 61.1–2 é citado parcialmente por Jesus em Lucas 4.18–19. Ele interrompe a leitura no meio da frase e não lê “o dia da vingança do nosso Deus”, porque essa parte aguarda Sua Segunda Vinda.

Se o Antigo Testamento frequentemente “condensa” as duas vindas de Cristo numa mesma profecia, é plenamente coerente entender que Daniel 9.26–27 abrange desde a primeira vinda até a Tribulação do fim dos tempos, com um longo intervalo não especificado entre esses eventos.


5. Por que a Lacuna? Israel Posto de Lado e a Igreja Introduzida

5.1 As 70 Semanas São para Israel; a Igreja é Distinta

Gabriel declara:

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e a tua santa cidade…”
Daniel 9.24

O programa das 70 semanas diz respeito à restauração nacional de Israel, não à formação da igreja. No Novo Testamento:

  • Israel e igreja são entidades distintas. A igreja é um “novo homem” em Cristo, composta de judeus e gentios em pé de igualdade (Ef 2.11–16; 3.4–6).
  • A igreja é formada por meio do batismo no Espírito iniciando em Pentecostes (At 2; 1Co 12.13), muito tempo após o encerramento da 69ª semana.
  • A igreja é chamada de “igreja de Deus”, título nunca aplicado a Israel no Antigo Testamento (cf. 1Co 10.32).

O relógio das 70 semanas mede os tratos especiais de Deus com Israel. A igreja é um programa distinto, não contado dentro desse período profético.

5.2 A Rejeição de Israel e o Endurecimento Temporário

Ao final da 69ª semana, Israel, como nação, rejeita o seu Messias. O Rei vem no tempo determinado, mas é “tirado e não terá nada” (Dn 9.26).

Paulo explica a consequência:

“Israel experimentou endurecimento em parte, até que tenha entrado a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo…”
Romanos 11.25–26

Verdades centrais:

  • O endurecimento de Israel é parcial (não atinge todos os judeus) e temporário (“até que…”).
  • Deus não rejeitou definitivamente o Seu povo (Rm 11.1–2).
  • Durante esse período de endurecimento, Deus está ajuntando os gentios na igreja.

É exatamente isso que observamos durante a lacuna:

  • Israel, em sua maioria, permanece em incredulidade e disperso entre as nações.
  • O evangelho é proclamado a todas as nações, formando a igreja, o corpo e a noiva de Cristo.
  • Enquanto isso, Jerusalém é “pisada pelos gentios, até que se completem os tempos dos gentios” (Lc 21.24).

5.3 A Era da Igreja: O Intervalo entre a 69ª e a 70ª Semana

Juntando os elementos:

  • A 69ª semana termina com a entrada triunfal de Cristo.
  • “Depois” dessa semana, o Messias é crucificado e Jerusalém é destruída.
  • Em seguida, Deus inicia algo não revelado de forma plena no Antigo Testamento — o mistério da igreja, judeus e gentios unidos em um só corpo (Ef 3.3–6; Cl 1.26–27).
  • Toda essa era da igreja — de Pentecostes até o Arrebatamento — se encaixa na lacuna entre a 69ª e a 70ª semana.

Durante esse tempo:

  • O relógio das 70 semanas para Israel está pausado.
  • A obra principal e visível de Deus no mundo se dá por meio da igreja, não da nação de Israel.
  • Israel permanece em endurecimento parcial até que “a plenitude dos gentios” se complete.

Quando a igreja estiver completa e for retirada (no Arrebatamento), Deus retomará o Seu programa das 70 semanas e iniciará a 70ª semana, a Tribulação de sete anos, novamente centrada em Israel e em Jerusalém.


6. O que Acontece Depois da Lacuna? A 70ª Semana é Retomada

Infográfico da estrutura da 70ª semana futura de Daniel como uma tribulação de sete anos dividida em duas metades.
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Infográfico da estrutura da 70ª semana futura de Daniel como uma tribulação de sete anos dividida em duas metades.
Um diagrama estruturado da 70ª semana de Daniel mostrando a tribulação de sete anos, a confirmação do pacto, a abominação da desolação no meio da semana, a grande tribulação e o retorno de Cristo.

Embora o foco aqui seja a própria lacuna, é necessário mencionar brevemente o seu ponto final para que o seu propósito fique claro.

  • A 70ª semana começa quando um governante futuro (o “príncipe que há de vir”) confirma uma aliança com muitos em Israel por uma semana (Dn 9.27).
  • Esse período de sete anos é o segmento final dos 490 anos e corresponde à futura Tribulação descrita em Mateus 24, 2 Tessalonicenses 2 e Apocalipse 6–18.
  • Na metade dessa semana, o governante rompe a aliança, faz cessar os sacrifícios e estabelece a abominação da desolação em um templo reconstruído.
  • Ao final da semana, Cristo volta, destrói esse governante ímpio e consuma os seis objetivos de Daniel 9.24 — acabar com o pecado de Israel, trazer justiça eterna, selar visão e profecia e ungir o Santo dos Santos.

A existência da lacuna da era da igreja protege simultaneamente duas verdades:

  1. As promessas de Deus para Israel serão cumpridas literalmente na história.
  2. A obra presente de Deus na igreja é um programa real, distinto e revelado como mistério, não uma mera redefinição de Israel.

7. Conclusão

A lacuna entre a 69ª e a 70ª semana de Daniel não é um detalhe descartável, mas um elemento essencial da escatologia bíblica:

  • O texto de Daniel 9 exige essa lacuna ao colocar a morte do Messias e a destruição de Jerusalém depois da 69ª semana, mas antes da 70ª.
  • Jesus, Paulo e João tratam os eventos centrais da 70ª semana — a abominação da desolação, o homem da iniquidade, os 42 meses de Tribulação — como ainda futuros, muito tempo depois da primeira vinda.
  • A profecia é explicitamente para Israel e Jerusalém, enquanto a igreja, formada em Pentecostes, é uma entidade e um programa distintos.

A lacuna, portanto, é o intervalo divinamente planejado da era da igreja — o tempo em que Deus está chamando um povo para o Seu nome dentre todas as nações, enquanto Israel permanece parcialmente endurecido até que se complete a plenitude dos gentios.

Quando essa lacuna se fechar, Deus fará o relógio profético de Israel voltar a funcionar, trazendo a 70ª semana à realidade e cumprindo toda promessa feita ao Seu povo antigo.


FAQ

P: Onde a Bíblia realmente diz que há uma lacuna entre a 69ª e a 70ª semana?

A lacuna é inferida de Daniel 9.26–27. O texto declara explicitamente que o Messias é morto e Jerusalém é destruída “depois” das 69 semanas, enquanto os eventos da 70ª semana (a aliança e a abominação da desolação) são apresentados como futuros no versículo 27 e também no Novo Testamento. O espaçamento histórico desses eventos exige um intervalo de tempo entre a 69ª e a 70ª semana.

P: O que está acontecendo durante a lacuna entre a 69ª e a 70ª semana?

Esse intervalo corresponde à era da igreja. Nesse período Deus está formando o corpo de Cristo — judeus e gentios juntos em um só novo homem — por meio do evangelho. Israel, como nação, está sob endurecimento parcial (Rm 11.25), e Jerusalém permanece sob domínio gentílico (Lc 21.24). O programa das 70 semanas para Israel está pausado até que a futura 70ª semana comece.

P: Por que a igreja não está incluída nas setenta semanas de Daniel?

Porque Daniel 9.24 afirma que as setenta semanas estão “determinadas sobre o teu povo e a tua santa cidade”, referindo‑se a Israel e Jerusalém, não à igreja. A igreja começou em Pentecostes (At 2) por meio do batismo no Espírito (1Co 12.13) e é um mistério que não foi revelado no Antigo Testamento como o é no Novo (Ef 3.3–6). O relógio das 70 semanas acompanha os tratos especiais de Deus com Israel, não o Seu programa separado para a igreja.

P: A visão da lacuna significa que Deus terminou com Israel?

Não. A visão da lacuna afirma exatamente o oposto: o programa de Deus para Israel está apenas pausado, não cancelado. Paulo insiste que “Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu” (Rm 11.2). Após a era da igreja, Deus retomará o programa das 70 semanas, conduzindo ao arrependimento e à salvação nacional de Israel (Rm 11.26–27; Zc 12.10).

P: Como a lacuna entre a 69ª e a 70ª semana se relaciona com a Tribulação?

A 70ª semana de Daniel é a Tribulação de sete anos. A lacuna é a era intermediária da igreja entre a 69ª semana (que se encerra com a primeira vinda de Cristo) e esse período final de sete anos. Quando a lacuna terminar e a 70ª semana começar, os eventos descritos em Daniel 9.27, Mateus 24, 2 Tessalonicenses 2 e Apocalipse 6–18 se desenrolarão, culminando na Segunda Vinda de Cristo e na consumação dos propósitos de Deus para Israel.

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Perguntas Frequentes

Onde a Bíblia realmente diz que há uma lacuna entre a 69ª e a 70ª semana?
A lacuna é inferida de **Daniel 9.26–27**. O texto declara explicitamente que o Messias é morto e Jerusalém é destruída **“depois”** das 69 semanas, enquanto os eventos da 70ª semana (a aliança e a abominação da desolação) são apresentados como futuros no versículo 27 e também no Novo Testamento. O espaçamento histórico desses eventos exige um intervalo de tempo entre a 69ª e a 70ª semana.
O que está acontecendo durante a lacuna entre a 69ª e a 70ª semana?
Esse intervalo corresponde à **era da igreja**. Nesse período Deus está formando o **corpo de Cristo** — judeus e gentios juntos em um só novo homem — por meio do evangelho. Israel, como nação, está sob endurecimento parcial (*Rm 11.25*), e Jerusalém permanece sob domínio gentílico (*Lc 21.24*). O programa das 70 semanas para Israel está pausado até que a futura 70ª semana comece.
Por que a igreja não está incluída nas setenta semanas de Daniel?
Porque Daniel 9.24 afirma que as setenta semanas estão **“determinadas sobre o teu povo e a tua santa cidade”**, referindo‑se a **Israel e Jerusalém**, não à igreja. A igreja começou em Pentecostes (*At 2*) por meio do batismo no Espírito (*1Co 12.13*) e é um **mistério** que não foi revelado no Antigo Testamento como o é no Novo (*Ef 3.3–6*). O relógio das 70 semanas acompanha os tratos especiais de Deus com Israel, não o Seu programa separado para a igreja.
A visão da lacuna significa que Deus terminou com Israel?
Não. A visão da lacuna afirma exatamente o oposto: o programa de Deus para Israel está **apenas pausado**, não cancelado. Paulo insiste que “Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu” (*Rm 11.2*). Após a era da igreja, Deus retomará o programa das 70 semanas, conduzindo ao arrependimento e à salvação nacional de Israel (*Rm 11.26–27; Zc 12.10*).
Como a lacuna entre a 69ª e a 70ª semana se relaciona com a Tribulação?
A **70ª semana de Daniel** é a **Tribulação de sete anos**. A lacuna é a era intermediária da igreja entre a 69ª semana (que se encerra com a primeira vinda de Cristo) e esse período final de sete anos. Quando a lacuna terminar e a 70ª semana começar, os eventos descritos em *Daniel 9.27*, *Mateus 24*, *2 Tessalonicenses 2* e *Apocalipse 6–18* se desenrolarão, culminando na Segunda Vinda de Cristo e na consumação dos propósitos de Deus para Israel.

L. A. C.

Teólogo especializado em escatologia, comprometido em ajudar os crentes a compreender a Palavra profética de Deus.

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